CULTURA

Jessé Andarilho é o novo colaborador do O Anhanguera




Imagem: Divulgação

Por Veridiano Peixoto

A partir de janeiro, os leitores do O Anhanguera contarão com os textos do escritor Jessé da Silva Dantas, conhecido com Jessé Andarilho. Autor dos livros Fiel (Objetiva 212 páginas), e do recém-lançado Efetivo Variável (Alfaguara / Companhia das Letras 136 páginas), é um dos idealizadores do movimento Marginow, iniciativa que procura mostrar as favelas cariocas por outros ângulos, centrados nas iniciativas culturais lá produzidas e lá vivenciadas.

Jessé tornou-se uma referência literária no cenário cultural carioca. Morador da favela Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro, seu interesse pela literatura iniciou-se de certa forma tardia.  Hoje quem o lê, não imagina que o Andarilho reprovou cinco vezes a mesma série do ensino fundamental. Faltava às aulas, e tão pouco tinha na leitura algum interesse. Na juventude decidiu abrir um negócio, um lava rápido em Antares, mas não contava que a demanda de veículos na área era tão pequena, com isso, as lavagens eram feitas em cachorros, tapetes, bicicleta e até caixas d´agua.

Na fase adulta, o gosto, ou sua íntima relação com a literatura se deu após ganhar de presente o livro Zona de Guerra, de Marcos Lopes. Saiu dizendo para todo mundo que tinha muitas histórias como as do livro para contar. Até que ouviu de um amigo: ?Tem história melhor que a do cara, então vai lá e escreve! Jessé não pensou duas vezes e começou a escrever. Outros livros como  No coração do comando, de Júlio Ludemir, Capão Pecado ? de Férrez, Zona de Guerra de Marcos Lopes; O Abusado  de Caco Barcellos, não só tornaram-se referências  de leitura, mas sobretudo retratos e desafios da periferia tão bem conhecida por Andarilho.

Sua literatura nasceu do barulho das idas e vindas, ( o termo Andarilho, adotado, se deu por essas inúmeras locomoções feitas para diferente locais) nos transportes públicos da cidade, principalmente no trem, em momentos quase sempre dispersos pelas outras pessoas, mas que para ele foram e são primordiais no processo de construção de suas histórias, as quais repousam na simplicidade de um papo reto com um amigo e na intensidade dos fatos, os quais quase sempre estão inseridos em um contexto de conflitos de cunho social.

Seu primeiro livro, Fiel, foi escrito no bloco de notas de um celular Blackberry, e até hoje mantém o aparelho. Essa forma inusitada demonstra a audácia na forma de fazer, algo talvez transferido também de uma audácia presente em sua narrativa, com um viés provocador, estruturada no cotidiano do cidadão comum, do trabalhador, do estudante, ou da dona de casa inseridos e caracterizados nos recortes sociais de uma cidade como o Rio de Janeiro. Fiel  narra a história de um garoto bom de bola que se vê envolvido pela violência entre polícia e facções criminosas.

Após a conclusão  do livro, Andarilho entregou o manuscrito a Celso Athayde, ex-presidente da Central Única das Favelas (Cufa) que o indicou para a editora Objetiva.

Agora Jesse Andarilho traz seu segundo livro, Efetivo Variável  uma retrospectiva, com dose ficcional, de sua experiência no serviço militar obrigatório em 2001. O enredo se passa na história do recruta Vinicius, o qual tinha certeza de que seria dispensado do Exército. Como refratário, porém, não teve direito de escolha e acabou na companhia que fazia o trabalho mais pesado do batalhão.

No começo, fez corpo mole, porém logo descobriu que sua atitude prejudicava os companheiros. Decidiu então dançar conforme a música. Lavar, correr, esfregar, pagar flexões... a rotina militar era dura, mas lhe trouxe amigos e um propósito. Só havia uma coisa com a qual ele não se acostumava: as humilhações do sargento Vieira. Para complicar, começa uma relação secreta com a filha do sargento. Com uma narrativa segura, o autor cria conflitos e reviravoltas que se escondem sob uma aparente normalidade e dá vida a um garoto comum, cheio de aspirações, em busca de si mesmo.

O trabalho de Jessé já resultou em sua presença como palestrante na tradicional Sorbonne, em Paris, em 2016, e participação na Feira do Livro de Bolonha, na Itália.

 





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