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Emmanuel Macron é reeleito presidente da França


Imagem: Observatório

As projeções divulgadas no início da noite são uma estimativa realizada por institutos de pesquisa a partir da apuração de votos de uma mostra de seções de eleitores em todos os territórios do país. Os números serão aprimorados ao longo da noite conforme a apuração avance.

Segundo esses primeiros dados, após uma campanha marcada pela guerra na Ucrânia e pela alta da inflação, que afetou o poder aquisitivo da população, os franceses decidiram apostar novamente em Emmanuel Macron.

A vitória de Macron, no entanto, tem um gosto de alívio amargo. Sua reeleição não foi forjada em altos índices de popularidade de seu governo, mas em uma campanha que lutou até o último momento para superar sua rejeição entre eleitores da esquerda e da direita, muitos dos quais foram às urnas para bloquear a chegada ao poder da extrema direita. Corpo a corpo para derrotar o antimacronismo
 
Apesar de sair à frente no primeiro turno, com 27,85% dos votos, contra os 23,15% dos eleitores conquistados por Marine Le Pen, Macron, 44 anos, enfrentou um segundo turno duro contra uma candidata da extrema direita que tentou atrair votos de todas as alas insatisfeitas com seu governo, que não eram poucas.

Em abril, 58% dos franceses se diziam insatisfeitos com o mandato de Macron na presidência, segundo pesquisa do Ifop. Nos dias anteriores ao segundo turno, o descontentamento chegava a 69% entre os franceses de 25 a 34 anos.

Aquele que chamou a atenção em 2017 por ser o presidente mais jovem a governar a França, ao longo de seu mandato passou a ser duramente criticado. Ex-ministro da economia do governo socialista de François Hollande, Macron foi logo intitulado como um político de direita e ganhou o apelido de "presidente dos ricos" ao cortar o imposto sobre a fortunas no país em sua reforma fiscal e reduzir as ajudas financeiras para a habitação.

Nas curtas duas semanas do segundo turno, Macron tentou apagar essa imagem. O candidato-presidente deixou seu gabinete e foi correr as ruas do país para convencer os eleitores de que estava aberto a críticas e que entendia as dificuldades cotidianas da população. No seu radar, estava a gorda fatia de votos de Jean-Luc Mélenchon, do partido da esquerda radical França Insubmissa, que abocanhou 21,95% dos eleitores no primeiro turno.
 
Do sul, em Marselha, ao norte, em Amiens, passando pela periferia de Paris, o centrista defendeu sua administração durante a pandemia de Covid-19 e ajustou seu discurso a dois temas candentes entre o eleitorado, principalmente jovem: o poder aquisitivo e a ecologia.

No sul, castigado por ondas de calor, incêndios florestais e enchentes, disse que pretende que "a França se torne a primeira grande nação a deixar de utilizar gás, petróleo e carvão" e prometeu uma política ecológica nos próximos cinco anos.

Para o poder aquisitivo, anunciou o aumento do salário-mínimo a partir de maio, a distribuição de ajudas financeiras diretas à população mais vulnerável e uma subvenção contra a alta de preços dos combustíveis, devido à guerra na Ucrânia.

Arrogante, mas democrata

Formado na prestigiada Escola Nacional de Administração (ENA) e rodeado por uma equipe leal de jovens com passagens pelos mercados de publicidade e consultoria, Macron é visto por parte da população como produto do sistema e como uma pessoa arrogante.

Frases ditas desastradamente no início do seu mandato em que apontava parte dos franceses como "preguiçosos" ou resistentes a qualquer reforma fez com que o jovem presidente tomasse ares de alguém desligado do cotidiano das classes mais baixas na França.

Nas ruas, Macron passou a argumentar que estava disponível a ouvir e a debater todas as críticas à sua administração, indo ao encontro de um eleitorado que não era seu e com um discurso mais empático. Com isso, o líder do República em Marcha pretendia marcar o contraste com a estratégia de Marine Le Pen, que passou o segundo turno em regiões onde já tinha o voto garantido, e é conhecida por seu discurso de intolerância.

A exposição trouxe ao político situações de embaraço, como a vaia recebida na reta final da eleição em Estrasburgo, no oeste do país, onde teve de ouvir gritos de "Macron, demissão", canto entoado meses a fio durante as manifestações dos coletes amarelos.

Contudo, o presidente conseguiu convencer sobre seu princípio democrata e respeitador das leis constitucionais do país. Apostando na imagem autoritária e perigosa da extrema direita que, representada por Le Pen, poderia tomar o poder.
 
Foi assim que Macron teve, desde a primeira hora, o apoio de seus adversários socialista, republicano, ecologista e comunista, que pediram o voto no representante da República em Marcha como forma de barrar, mais uma vez, a extrema direita.

Durante o único debate entre os dois candidatos, o centrista insistiu nas relações obscuras de Marine Le Pen com Vladimir Putin e em seu compromisso com a União Europeia, ganhando assim o apoio declarado de líderes dos governos europeus, como o alemão Olaf Scholz, o espanhol Pedro Sánchez e o português António Costa.

Com cinco anos de mandato pela frente, Macron agora terá de mostrar aos franceses que votaram sem convicção nele que pode ser o presidente de "todos", como dizia seu slogan de campanha, e abrir seu governo para decisões negociadas com diferentes partidos e grupos sociais.

A formação do seu próximo governo será seu primeiro desafio. Com eleições legislativas marcadas para junho, ele pode se preparar para ter uma Assembleia Nacional muito menos favorável do que tinha até então. O tamanho de seu apoio é ponto central das alianças nos próximos meses.

Aproveitando seu sucesso no primeiro turno, Jean-Luc Mélenchon, por exemplo, já começou campanha para tentar impor ao governante um primeiro-ministro de oposição.





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