COLUNISTAS | Por Mariana Egry

Parnaíba perde Mestre Tito


Foto:(Mariana Egry)

No último sábado, dia 26 de março de 2022, Parnaíba perdeu uma das figuras mais importantes para a cultura da cidade e do Estado de São Paulo. Hormes Villar Filho, conhecido como Mestre Tito, foi o principal responsável por dar continuidade a tradição carnavalesca dos bonecões e cabeções na cidade durante muitos anos.

Filho do meio de Holmes Villar e Arabella Villar, Mestre Tito nasceu em 1950 na rua André Fernandes. Sua casa sempre foi um barracão de carnaval, cresceu assim como seu irmão Miguel Villar no meio dos cabeções e bonecões que seu pai confeccionava dando continuidade ao legado de João Santana, que foi o primeiro nome conhecido na feitura de cabeções e bonecões na cidade.  

Mestre Tito começou cedo ajudando seu pai na feitura dos bonecões e cabeções e na restauração dos bichos. Senhor Holmes sempre teve a preocupação de ensinar aos mais jovens a técnica. Em 1982, após o falecimento do pai, Tito deu continuidade à produção desse importante bem cultural, trabalhando na confecção de cabeções e bonecões utilizados no Samba do Henrique Preto ou Grito da Noite no carnaval. Durante o ano, ele trabalhava na manutenção desse acervo e no ensino da técnica aos interessados.
 
Foi o mais importante artesão especializado em papel sobreposto da cidade, técnica que é a base para a produção de cabeções e bonecões, que são elementos importantíssimos para a manifestação do Grito da Noite, patrimônio cultural de Santana de Parnaíba.

O Grito da Noite, que está entre os nove grupos tradicionais de Samba de Bumbo do Estado de São Paulo, é o único entre eles que é realizado com bonecões e cabeções durante o carnaval. A manifestação é patrimônio imaterial do Estado de São Paulo e hoje passa pelo processo de registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN para tornar-se patrimônio imaterial brasileiro.  Mestre Tito foi responsável por manter viva a tradição, por salvaguardar esses elementos característicos tão importantes que tornaram hoje nossa tradição um patrimônio único.
 
Foto: (Arquivo Pessoal)

Há alguns anos Mestre Tito passou por problemas de saúde que comprometeram a sua mobilidade e ele infelizmente já não conseguia mais fazer seu ofício. Seu irmão Miguel Villar, um dos mais importantes artistas plásticos da cidade e muito conhecido por ter sido o principal carnavalesco, assumiu o legado familiar na feitura dos cabeções e hoje é o responsável por manter a tradição na cidade.
 
Ainda que estivesse com seus problemas de saúde que o impossibilitavam de fazer os cabeções, Mestre Tito contava entre muitas histórias ter saudade do seu ofício e que se pudesse continuaria.
  
Parnaíba perde além de um artista talentoso, uma parte importante da história cultural da cidade. Fez cabeções, bonecões, bichos e máscaras. Tocou caixa na primeira Escola de Samba da cidade, escola que seu pai fundou, os Pés Vermelhos. Trabalhou 22 anos na prefeitura pela cultura da cidade, mas para além disso, assim como sua família, dedicou a vida ao carnaval e as tradições culturais da cidade.
 
Partiu deste plano aos 72 anos de idade deixando saudades e muitas histórias. Ao andar pelas ruas encontramos partes da sua história e seu legado com os amigos que o admiravam, com os que aprenderam com ele. Já é lembrado por sua família e amigos como uma pessoa criativa, calma, humilde, por suas muitas histórias, suas músicas inventadas, sua sabedoria e doçura.

Texto por Mariana Egry





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