SEMANA EM FAKE/BOATOS.ORG

De semana a semana, o ano de 2021 em fakes


7 de Setembro: Caminhoneiro chora comemorando estado de sítio que nunca ocorreu. Foto:(Reprodução)

Chegando ao último domingo de 2021, vamos nos reservar a falar sobre o que chamou atenção no ano em relação a fake news. Para fazer esse conteúdo, pegamos todos os A Semana em Fakes publicados desde 3 de janeiro (ao todo foram 49 análises) e tentamos achar uma lógica de como as fakes news circularam em 2021.

Basicamente, a desinformação focou em dois pontos: política e pandemia da Covid-19. Tivemos momentos em que outras pautas "furaram" este movimento (como no caso da caçada a Lázaro Barbosa e na morte trágica de Marília Mendonça). Nem eventos como as Olimpíadas fizeram com que os brasileiros parassem de falar em golpe e nas vacinas.

 
O ano em fakes na política
 
Falando de política, o ano teve uma mudança de "alvo da fúria" de bolsonaristas (há, sim, outros grupos políticos que espalham fake news, mas esse é predominante). No ano passado, o principal alvo foi os governadores. Neste ano, a artilharia de fake news se voltou contra o STF.

Com raros momentos, como no início do ano, em que Doria ainda era o maior alvo das fake news, e no final do ano, quando a artilharia das fake news se voltou contra Lula, os ministros da corte foram os maiores alvos da desinformação.
 
Já em fevereiro, Alexandre de Moraes entrou na rota de fúria de espalhadores de fake news. Após decretar a prisão de Daniel Silveira, fake news não demoraram a circular sobre ele. De vídeo falsamente apresentado como um ataque à corte a notícias falsas sobre ligações com o PCC, o que não faltaram foram ataques.

Moraes, porém, não foi o maior alvo dentro do STF. Graças ao desejo de bolsonaristas pelo voto impresso (algo levantado com o único interesse de tumultuar as eleições e servir como "desculpa" para uma cada vez mais provável derrota em 2022), o presidente do TSE Luís Roberto Barroso (que sempre se posicionou de forma contrária ao retrocesso que é o voto impresso) se tornou alvo de uma campanha covarde de desinformação.

Em meio a indiretas maldosas do próprio Bolsonaro sobre o ministro, fake news criadas por simpatizantes do presidente e espalhada por "influenciadores de direita" e robôs davam conta que Barroso teria cometido crimes descobertos por João de Deus e que seria alvo de chantagem por José Dirceu do PT. O enredo, digno de filme de quinta categoria e totalmente falso, ainda tinha, em alguns casos, mensagens que apontavam para CIA contar tudo para Bolsonaro, que teria um "pen drive" com provas.

Todo esse movimento suscitou no que podemos chamar no ápice do caos desinformativo político de 2021: o período que antecedeu as manifestações pró-Bolsonaro no dia 7 de setembro. Em cerca de 30 dias, o que não faltaram foram informações falsas criadas para inflamar uma horda de lunáticos.

Entre as fake news, haviam as que falavam que os caminhoneiros fariam uma greve até que o voto impresso fosse aprovado e o STF deposto e que haveria a chamada "intervenção militar com Bolsonaro" no poder. Ou seja: um golpe. Passamos agosto inteiro e a primeira semana de setembro explicando que isso não ocorreria porque Bolsonaro não tem poder político e caminhoneiro não é massa de manobra.

Como vocês devem saber, tudo terminou com um vexatório vídeo de manifestantes comemorando um estado de sítio que nunca ocorreu e com o presidente escrevendo uma carta de recuo com o auxílio de Michel Temer.
 
O ano em fakes na pandemia

Apesar dos picos de efervescência política, as fake news, quantitativamente, novamente focaram na pandemia. Infelizmente, negacionistas, incluindo o próprio presidente da República e seus simpatizantes, atrapalharam o combate à pandemia com desinformação.

Muito do que se viu em 2021 chega a ser mais do mesmo de 2020. No momento em que as mortes no Brasil passavam de 4 mil por dia, notícias falsas que tentavam dar credibilidade ao chamado tratamento precoce com remédios ineficazes contra a Covid-19 se espalhavam com a ajuda criminosa de pessoas influentes e robôs. A grande diferença de 2021 para 2020 é que, cada vez menos, esse papo de cloroquina e ivermectina enganou as pessoas.

Assim como em 2020, mas com uma intensidade menor, ataques ao isolamento social, negação da pandemia (com a tese de que é uma farsa) e ataques à China também puderam ser vistos em 2021. Porém, nada teve tanta atenção de boateiros como as vacinas.
 
Do início do ano, com ataques às vacinas da Coronavac (que era apontadas como "pior" do que cloroquina e ivermectina), ao fim do ano, com a campanha criminosa desinformativa sobre vacinação de crianças, não faltaram notícias falsas que focavam em "riscos da vacina" que não existem e "falta de eficácia" dos imunizantes (o que provou ser falso).

Graças a quem lutou contra a desinformação (da mídia e políticos a profissionais de saúde e cientistas que sempre visaram desmentir informações erradas) e à consciência de muitas pessoas, tivemos uma cobertura vacinal acima da esperada e estamos vencendo a batalha contra a pandemia.

Para 2022, acreditamos que viveremos um movimento parecido com o de 2021, mas com ordem de prioridades inversa. No início, ainda lutaremos pela vacina. Com a pandemia controlada (esperamos que isso ocorra), a luta no segundo semestre será com a desinformação ligada as eleições. Aí sim, vocês verão o que é um cenário de caos.
 
Trends da semana

As palavras mais buscadas no Boatos.org nos últimos dias foram, em ordem crescente, Preço gasolina RLAM, AnkoleIvermectinaRobert MaloneMercado LivreLulaPfizerVacinaPix de natal e Chile.

Os desmentidos mais lidos do Boatos.org nos últimos dias foram, em ordem crescente, sobre um vídeo de Robert Malone sobre vacinação de crianças, sobre um falso Pix de Natal que estaria sendo distribuído, sobre um áudio atribuído a uma bióloga chamada Mônica Travassos, sobre um estudo do SUS sobre ivermectina e sobre digitar Ankole revelaria fotos secretas no Google.

No Twitter e Nno Telegram, o conteúdo com maior engajamento era o que apontava que Bolsonaro não sabia lidar com dinheiro. No Facebook e no Instagram, o conteúdo com maior compartilhamento era o que desmentia que Bolsonaro estaria na frente na última pesquisa eleitoral divulgada. Por fim, no YouTube, o conteúdo mais visto era o que desmentia informações sobre vacinação de crianças em um vídeo de Robert Malone.

www.youtube.com/watch?v=dF-_JsVA-MI

Edgard Matsuki é editor do site Boatos.org, site que já desmentiu mais de 6 mil notícias falsas



Confira o vídeo:






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