RESPONSABILIDADE SOCIAL

Sonho, Família, Samba e um Sorriso!


Prof. Robinno da União da Vila. Foto: (Reprodução)

Por Veridiano Peixoto

Quem o conhece sabe perfeitamente o quanto ele é capaz de dedicar-se na busca de melhorias, sejam para outras pessoas, ou propriamente para o bairro em que mora, neste caso o Refúgio dos Bandeirantes. Robson Leonardo é uma daquelas figuras emblemáticas, sorridente, carismática, e que por onde passa acaba despertando nas pessoas um entusiasmo característico. Atualmente é presidente da Associação União da Vila do Refúgio, um projeto social voltado à inserção de jovens no cenário cultural através da música e teatro.

Quem é ele?

Toda história tem seu início, e a de Robinho, como é conhecido pelos amigos, é um misto de perda, superação e carinho. Nascido dentro de uma ambulância quando sua mãe era levada ao hospital, fato esse que só veio à tona em pouco tempo. ?Uma vez assistindo uma reportagem que dizia que em Santana de Parnaíba não havia maternidade, perguntei: como não havia? Se em meu registro consta que eu nasci aqui?. Perplexo diante da curiosidade, a resposta veio através das irmãs, que disseram que quando a sua mãe estava sendo levada à maternidade, não houve tempo e o parto acabou ocorrendo na própria ambulância. Contudo, a forte lembrança que o marcou definitivamente na infância foi à morte de sua mãe. Perdi minha mãe com cinco anos de idade, desde cedo tive que trabalhar meu emocional, e acho que é isso que me da força. Robinho faz parte de uma família de nove irmãos, sendo sete mulheres, e coube a elas cuidar ao lado do pai, o senhor Deca, de sua criação, algo de gratidão eterna. ?Meu pai fez todo o trabalho de base e isso foi muito importante na minha formação, pois eu coloquei que tudo que eu faria teria que trazer orgulho para meu pai, afirmou. E isso foi construído dia pós dia. A receita para a superação foi descoberta na própria escola, no Colégio Municipal Maria Fernandes, e foi lá que seus sonhos passaram a tornar-se metas. ?Busquei adquiri mais conhecimentos, ali decidi que deveria me tornar um acadêmico e especializar-se e ele foi. Prestou o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), e obteve uma bolsa para o curso de Educação Física na Faculdade Nossa Cidade (atual Estácio) em Carapicuíba.

Morando na Faculdade

Aprovado na Faculdade, bolsa garantida o próximo passo seria ir até Carapicuíba, e isso naquele instante representou um grande angústia ? Carapicuíba era uma cidade grande pra gente, cheguei meio assustado lá. A primeira vez fui com minha irmã, tinha que passar pelo trilho do trem, tudo aquilo era novo?. Matricula realizada, curso em andamento, os anos que Robinho permaneceu na Faculdade representaram mais que uma formação. O desafio intensificava cada vez mais, principalmente a partir do momento que precisa conciliar os horários de estudos com o trabalho. Eu estudava das 7 até às 10:30, e depois só entrava no trabalho às 14:00, e não era possível voltar para casa e para complicar mais a situação a empresa o transferiu para à região central de São Paulo. Meu pai não queria que eu fosse, ele dizia que o Datena falava que só havia maldade naquele lugar. Mas Robinho foi, já que uma promoção estava em jogo. Contudo a preocupação era resolver a questão do intervalo de quase três horas entre o término das aulas e o início do trabalho, e a solução foi algo inusitado, mas extremamente compensadora. ?Eu levava minha marmita, esperava todo mundo sair da faculdade e ia para o quarto andar. Na sala de aula eu ficava no tablado, onde o professor dava aula, e ali fazia meu almoço, tirava um cochilo, já que só retornava para a casa após às 11 horas da noite?. Essa sua presença de ?morador? propiciou ampliar os contatos com os funcionários da faculdade. Chegou um momento que conhecia quase todo mundo da Faculdade.

União da Vila

A distância do Refúgio dos Bandeirantes diante de onde ocorriam os eventos de cunho artístico e cultura da cidade, foi decisivo na idealização do projeto União da Vila. ?Em 2010 houve a possibilidade de desfilar no Carnaval de Parnaíba, lá na bateria da União de Parnaíba, já tinha três pessoas do bairro, o Felipe França, a Thainá Mendes e o Jonhy (atual vice-presidente da União da Vila) que tocavam, e me fizeram o convite para as aulas de música promovidas pela prefeitura. A partir disso passou a convidar outras pessoas do bairro para também participarem das aulas, e quando percebeu a Van do refúgio para o curso de iniciação de bateria de escola de samba saia lotada do bairro. Diante de tantas pessoas do bairro, ele ao lado de Johny passaram a conversar sobre a possibilidade de desenvolver algo no próprio Refúgio. Com o fim do carnaval ficou um monte de batuqueiro espelhado por aí, muitos aqui do Refúgio, aí nasceu à vontade de continuar com a música e com o carnaval?. Na ocasião, ainda muito novo, coube a Robinho a continuar, e incentivar a batida das músicas, a incumbência de criar a União da Vila ficou com seu amigo Johny e outras pessoas. A iniciativa estava ganhando forma, mas precisava  buscar o aperfeiçoamento em outros locais, e não havia lugar melhor que uma escola de samba. Fui para a Camisa Verde e Branco, e os outros meninos foram para a Dragão da Real. Tudo isso para incorporar na União da Vila o aprendido em São Paulo. Com um conhecimento melhor apurado, o próximo passo foi começar ensinar as crianças do bairro. Nos domingos trazíamos os instrumentos para iniciação musical com as crianças aqui no bairro, mas aí tomou uma proporção muito maior daquela que havíamos pensado, chamei o Johny para uma conversa e decidimos que precisávamos nos estruturar melhor, e demos uma parada em 2012. O tempo foi primordial para a compreensão que a União da Vila não se resumia no samba, ele precisava se legitimar como um projeto social, e isso foi feito sobre à égide de O Sonho não pode acabar. As atividades, antes limitadas ao samba, agora foram ampliadas para o teatro, palestras dentre outras. Uma parceria com o colégio tem propiciado oficinas de grafites, no universo e cultura hip hop que estende-se a papos de cunho racial e artístico com os alunos. Uma outra iniciativa que tem buscado estreitar os laços entre os moradores tem sido a Feijoada da União da Vila que é realizada a partir das doações e participação das pessoas.

O Atleta   

O Atletismo entrou na vida de Robinho durante o último período de faculdade. Na época do estágio, havia um tempo flexível, que inicialmente seria utilizado para uma Iniciação Científica, a qual não se concretizou. Diante do agora tempo livre, um fato curioso e até mesmo coincidente ocorreu. Meu professor de atletismo na faculdade, que também é técnico (Deni Domingos) em Parnaíba me convidou para fazer um teste, e pelos resultados foi até aceitável?, o que o motivo a treinar na EPROCAD, que mantém um projeto de Atletismo escolar. Com agora mais um fator motivador, Robinho passou a se dedicar a mais essa atribuição, o que resultou em sua inserção nas equipes de atletismo da faculdade e a de Santana de Parnaíba, as quais disputou competições conquistando inúmeras medalhas, com destaque nos Jogos Regionais deste ano, em Sorocaba pela equipe da cidade. A experiência nas pistas, além dos agradecimentos aos professores Deni, Jubileu e Jean, seu atual tecnico, possibilitou que Robinho tornar-se também professor de corrida, com aulas em condomínios de Alphaville.

Gente que faz

É notório a força e a vontade que esse garoto, filho do saudoso Senhor Deca encara os desafios. O menino que cresceu diante da ausência soube definir seus objetivos e os enfrentou de maneira otimista sempre com um sorriso no rosto e uma vontade contínua de vencer. Desafios existem para ser encarados, e Robinho é um exemplo das necessidades deles como norteadores daqueles que buscam a superação. A frase Tem tudo para dar errado, foi muitas vezes pensada e dita por ele para ele, mas jamais foi maior que seus sonhos; esses que até hoje são indispensáveis em sua rotina diária, a qual o outro sempre tem importância e espaço. Robinho é gente que faz!

 

 





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