POLÍTICA

Falas antidemocráticas de Bolsonaro levam a "derrapada fiscal".


Foto:(Isac Nóbrega/PR)

As investidas antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que pautam seus discursos e estiverem fortemente presentes nos atos de 7 de Setembro, podem interferir na votação do Orçamento no Congresso. A análise é do economista-chefe da XP, ex-secretário da Indústria e ex-diretor de programas do Ministério da Economia, Caio Megale, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quarta-feira (15).
 
“Quando a temperatura política sobe, os riscos dessas derrapagens fiscais no Congresso aumenta, e isso se traduz na volatilidade na taxa de câmbio, no aumento nas taxas de juros futuros, que, ao fim e ao cabo, determinam as condições de liquidez das empresas“, explicou Megale.

Diante das controvérsias envolvendo o presidente, segundo o economista, a equipe de Paulo Guedes tem de se concentrar em resolver questões de curto prazo, como a votação do Orçamento e a crise hídrica.

“O Congresso tem temas importantes a serem votados no curto prazo e acho que o mais importante deles é o Orçamento do ano que vem. Ele é crítico porque não está equilibrado“, disse.

Um dos desafios do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), é a alta da inflação. Quando o projeto foi elaborado, o governo projetou alta de 6,2% no INPC (Índice de Preços ao Consumidor). Contudo, projeções do mercado calculam que haja crescimento de 8,5%. Se isso se confirmar, o governo deve elevar em R$ 18 bilhões a previsão de despesas em 2022.
 
Megale também fala da importância dos Poderes na análise do tema. “Quando você analisa o tema do Orçamento você vê que terá de ser uma tramitação com muita coordenação envolvendo Legislativo e também Judiciário, para que não resulte em uma derrapada fiscal mais profunda, em uma mudança mais profunda na estrutura do teto de gastos.”

“Quando a temperatura política sobe, os riscos dessas derrapagens fiscais no Congresso aumentam, e isso se traduz na volatilidade na taxa de câmbio, no aumento nas taxas de juros futuros, que, ao fim e ao cabo, determinam as condições de liquidez das empresas“, alertou o especialista.

Bolsonaro vem de uma sequência de ataques aos Poderes, especialmente aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Desde a divulgação da “declaração à nação”, na última quinta-feira (9), o chefe do Executivo tem mudado o tom.

Ainda de acordo com Megale, outro fator atípico que tem influenciado a economia brasileira é “a sensação de polarização e debate eleitoral muito tempo antes do esperado“, em referência à disputa entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT).
 
“No mundo inteiro, ano de eleição presidencial sugere alguma apreensão nos setores e empresas. Isso normalmente dura 4 ou 5 meses. A sensação é a de que começou muito antes. É um longo período de volatilidade que acaba afetando a economia e os mercados.”

Para Megale, o cenário não é propício para reformas mais profundas. “Nos momentos delicados de interlocução com Congresso, é melhor focar nas questões de curto prazo, que tiram as incertezas, do que fazer reformas estruturais muito complexas que podem não ter o desenho final desejado“, falou.
 
Em relação ao próximo mandato presidencial, seja quem for o vencedor, o economista acredita ser importante focar no “equilíbrio fiscal” e em “reformas que aumentem a produtividade e a competitividade da economia brasileira“.
 
“Tanto Lula como Bolsonaro já demonstraram em momentos de seu governo aderência a essa agenda [econômica]. Os inícios dos governos Lula e Bolsonaro foram momentos em que essa agenda ficou muito presente“, avalia.





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