COLUNISTAS

A Zabumba, o chocalho e o silencioso carnaval de Parnaíba


Foto:(Leandro Daher)

"Há muito tempo atrás
Henrique Preto ensinou
que o chocalho canta o samba
que a zabumba começou"
 
Foi sem samba, sem alegria, em uma dolorida e silenciosa volta que a zabumba e o chocalho fizeram sua tradicional caminhada pelo Centro Histórico de Parnaíba.



A saída foi ali, de onde sempre saíram, sob os olhares do então casarão, o Museu do Anhanguera foi testemunha da partida da dupla.



Seguiram pela rua de baixo em seu compasso silencioso lembrando aos olhos dos curiosos e incrédulos que era sim, uma terça-feira de carnaval.   

E assim foi com seu "andar de samba" que chegaram na Padaria Aurora, parados entoaram:
 
"Carrera de paca
carrera de lebre
traz a pinga
que nóis bebe"



As portas fechadas da Aurora pareciam querer abrir como em um passe de mágica ou de fé, mas mantiveram-se fechadas, caladas. Assim a zabumba e o chocalho continuaram o seu solitário corso.



Na esquina do Vasquinho, decidiu-se seguir para o jardim, mas por um momento, ainda no local agradeceram a oferta do Joca:

"O tatu saiu da toca
pra beber
pinga do Joca"

Ficou a lembrança do sabor do líquido que desce pela garganta dos sambadores trazendo alívio e reanimando o toque.



A caminho do jardim, não existia multidão, apenas o silêncio e uma breve saudação ao Garnisé.

A dupla então parou em frente ao Detó cantaram e assim como ocorrido na Aurora sabiam da vontade que a porta estava de se levantar, mas nada.



Já cansados e com a zabumba percebendo um leve entristecer do seu companheiro, parou, olhou para ele e puxou:
"Eu briguei com a patroa
Tô que tô
que não me aguento
eu tô indo tomar uma
lá no 350
0".

Sempre funciona, o chocalho agora entusiasmado seguiu o roteiro.



De volta ao ponto de partida, com a terça-feira indo embora e sem os estandartes que do armário não saíram, a zambumba e o chocalho também voltam para o seu lugar, quietos, mas com a promessa que em 2022 seu som será ouvido nos 4 cantos da cidade.
"Pereira...Pereira...Pereira".
****
O texto é uma homenagem para todos os sambadores que com a sua alma carnavalesca e alimentados pela tradição mantiveram-se mudos, somente com a baqueta em punho e a rima presa na garganta em defesa da vida. Meu imenso respeito aos sambadores e sambadoras do: Grito da Noite, Galo Preto, Galo Garnisé, Pé Vermeio, Briga de Galo, Esquenta do Sambão, Abayomi, Berro do Sexo Forte, Vovô da Serra do Japi e um caloroso salve carregado no Àsé ao Samba de Bumbo 13 de Maio do Cururuquara ...salve e até 2022.

Leandro Daher, parnaíbano, sambador apaixonado pela tradição e autor do texto e fotos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 





01 COMENTÁRIO


Victor Bastos Daher comentou em 16/02/2021 às 20h 20min

Maravilhoso...todos entendemos a necessidade de ficarmos em casa e essa leitura me fez, mesmo distante, sentir por alguns instantes a alegria que esta zabumba, esse chocalho e o espírito que envolve este samba conseguem despertar em todos. Muito obrigado!


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