CENÁRIO URBANO

A importância e necessidade de um jornalismo local

Por Veridiano Peixoto

No Brasil, precisamente em 2.710 municípios há veículos jornalísticos. Isso representa um universo de 177 milhões de pessoas que correspondem a 85% da população brasileira, e 49% do total de municípios. Já nos outros 51%, onde vivem 30 milhões de pessoas, são considerados ?quase deserto? e ?deserto? de notícias pela quase (um veículo apenas) ou total ausência de algum veículo jornalístico. Esse é o cenário identificado pelo Atlas da Notícia em 2018. São 12.467 veículos mapeados pelo Atlas,os jornais impressos correspondem a mais de 27%, com 3.368 títulos. Os tidos ?desertos?são aqueles sem veículos, ou até mesmo sem cobertura significativa da imprensa,seguidos pelos ?quase deserto? que dispõem de apenas 1 ou 2 veículos, e são consideradas localidades que correm o risco de se tornar desertos.

O cenário pode soar como assustador, mas ele é real, principalmente quando se volta para a região, e sem muitos esforços é possível identificar uma grande lacuna existente, que aos poucos vem sendo preenchida. Segundo o Atlas,dois municípios, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus se enquadram no quesito ?quase deserto? e ?deserto? respectivamente, onde o primeiro só possui um jornal(Evidência) e o segundo nenhum. Cajamar, cidade com população estimada de 75.638 habitantes (IBGE), localizada às margens da Rodovia Anhanguera, recebe cobertura principalmente de jornais da cidade de Jundiaí distante 27 quilômetros. Já em Pirapora do Bom Jesus, com população de pouco mais de 18 mil habitantes, e considerada a última cidade da região oeste da grande São Paulo,onde possui como vizinhos: Araçariguama (com forte influência da imprensa de São Roque) e Cabreúva (com cobertura de veículos de Itu e Jundiaí), até pouco tempo ficava na dependência de jornais e coberturas de Osasco e Barueri, locais com mais de 30 quilômetros de distância. Mesmo a vizinha de ambas, Santana de Parnaíba, também durante muito tempo vivenciou essa realidade, contando apenas com o jornal Folha de Alphaville, publicação totalmente direcionada ao bairro do mesmo nome. Com isso boa parte dos cidadãos se informam através dos jornais que chegavam principalmente de Osasco, que o pouco que trazia de informações locais ficava restrito aos releases do poder público.

Os bairros que cresciam vertiginosamente, e o comércio que seguia um ritmo acelerado, não se viam, etão poucos eram difundidos junto a um público leitor. Iniciativas ocorreram nos últimos anos com os registros do Jornal Comunicação e o Destaque Regional, porém ambos não se firmaram mas provaram ser possível fazer um jornalismo local de qualidade. Nessa esteira da necessidade e da importância de uma imprensa isenta, defensora da democracia, da livre iniciativa e de difusão de ideias pluralistas que o Anhanguera, sem pretensões de ser o único, assumiu a incumbência em ser o jornal da sua cidade, descrição utilizada desde novembro de 2018 em sua capa impressa.

 Atualmente estar presente não é uma mera expressão do jornalismo. É de conhecimento público o quanto, tanto os jornais,como outras mídias, vivem um momento importante em sua história, marcado por um rápido e profundo processo de transição decorrente da revolução tecnológica,que além da rapidez exige eficiência, aliada a uma linguagem moderna em constante evolução, as quais o jornal procura incorporar continuamente, e os resultados têm sido animadores. Segundo a última Pesquisa Brasileira de Mídia(2016), realizada pela Secretaria de Comunicação do Governo Federal, 66% dos brasileiros leem o jornal ainda na versão impressa, sendo que 60% confiam nas notícias que circulam nos impressos, números ainda superiores quando comparados ao Rádio (57%), TV (54%), Revistas (40%) e Internet (20%), sendo ainda maior e sem relação às Redes Sociais (14%) e Blogs (11%).

É válido assumir a tida lacuna,mas só estar, não se traduz em plena comunicação, já que a mesma deverá levar à criticidade, à isenção, e sobretudo, à imparcialidade, possíveis apenas a partir da desvinculação com grupos políticos, religiosos e econômicos. E como expôs o jornal Folha de S.Paulo, em seu Manual de Redação que ?cresceu a percepção crítica da imprensa em relação aos poderes instituídos, especialmente os de natureza pública, e aumentou também a recepção crítica dos meios de comunicação por parte de sua base social,o público que consome a mercadoria-informação?

O jornalismo se alimenta e se reproduz através da informação, e essa deverá ser verdadeira,podendo a qualquer instante e por qualquer pessoa ser colocada em xeque. Ser um jornal lido por uma cidade é uma grande responsabilidade, que ultrapassa a exposição tanto no papel ou nas telas, e para permear um trabalho sério e comprometido é necessário incorporar o exercício do quanto uma matéria é importante e quanto seu desdobramento será benéfico para a população. Este tem sido o compromisso que O Anhanguera estabeleceu com seus leitores de Cajamar, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus.






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