EDUCAÇÃO

Parnaíba retoma aulas com uso do Whatsapp e Facebook




Reprodução.

“Trago aqui mais uma novidade para você, é a plataforma Inspira do nosso sistema de ensino. É muito fácil, basta acessar o site da prefeitura. Entrando no site clique no portal da educação, pronto, entrando no portal da educação (...)  Olha só que portal rápido, leve e fácil de trabalhar”

Essas são as palavras iniciais do secretário municipal de educação de Santana de Parnaíba, Clecius Romagnoli, em um vídeo de pouco mais de 8 minutos, o qual apresenta o método adotado pela prefeitura de Santana de Parnaíba para manter as atividades escolares durante o período da quarentena. A adoção do ensino à distância através de plataformas não é exclusividade de Parnaíba, pelo contrário, o município tem seguido as pautas do governo do Estado e até mesmo da capital paulista quanto à antecipação de férias e o uso da tecnologia no ensino remoto, um componente já há muito tempo utilizado pela rede privada de ensino.
 
O cenário é permeado de incertezas, e os reflexos do novo coronavírus são mensurados pelos números e na educação, eles têm sido impressionantes. Desde a 2° Guerra Mundial nunca havia sido registrado o fechamento de tantas escolas e universidades, que até o início de maio compreendia 138 países, 1,37 bilhões de estudantes e 60,2 milhões de professores.

 
 
E o caminho a ser trilhado pela rede municipal de Parnaíba não é tão simples, primeiro por ser pública e possuir distinções quanto à rede privada, como falta de infraestrutura adequadas, número elevado de alunos por sala, além de ausência de preparo dos professores em lidar com plataformas no ato de ensinar, e falta de internet até mesmo para o acesso às redes sociais. E justamente essas opções foram adotadas pela SME, que utilizando o Whatsapp para esclarecimento de dúvidas e contado com os pais, e o Facebook, para postagens de roteiros de estudos nas páginas dos Colégios, procura seguir pelo menos por enquanto, o ano letivo.
 
A realidade da educação pública, além de turmas numerosas, é somada com incontáveis exigências burocráticas, colocando em questão as iniciativas dos gestores públicos que insistem em acreditar que tanto os alunos como os professores, em um passe de mágica possam estar reunidos em espaços virtuais e horários flexíveis, e conseguirem lidar com um novo momento, como o que vem ocorrendo na rede estadual de São Paulo, e duramente criticado “Para os professores, que estão na ponta do processo, está claro que esse modelo não funciona. Ele não é inclusivo e aumenta ainda mais a desigualdade”, disse à BBC Brasil Maria Izabel Noronha, presidente  Apeoesp (Sindicato dos Professores da Educação Oficial do Estado de São Paulo) e deputada estadual .
 
Após um período de encontros virtuais, reuniões, as atividades foram retomadas, ou melhor, readaptadas a partir desta semana, o que tem resultado em inúmeras manifestações nas redes sociais pelos pais que indagam sobre a eficácia do ensino remoto, além das dúvidas surgidas quando a condução do programa sem a presença física do professor.
 
O próprio secretário Clecius informou que o material impresso já foi distribuído aos alunos da rede municipal de Parnaíba, mas tanto ele quanto o prefeito Elvis Cezar (PSDB) vem destacando a plataforma como o principal meio para continuidade das aulas, como disse o prefeito no último dia 7. “Teremos uma plataforma online, onde todo o conteúdo didático de nosso sistema pedagógico estará disponível pra todos. Teremos central de tira dúvidas com os professores de Santana de Parnaíba, semelhante ao consulta online farão videoconferências com os nossos alunos, tirando dúvidas, esclarecimentos ensinando e cobrando nossos filhos (...) para que eles possas se adaptarem, estudarem e entregarem os resultados através da plataforma online”, afirmou o prefeito.

 

Tal afirmativa pelo menos demonstra que a adoção das redes sociais e da plataforma são indispensáveis para prosseguimento das aulas, e mesmo que sejam, descortinará uma realidade sobre a possível ausência de internet daqueles alunos e famílias do munícipio que fatalmente não estarão inseridos dentro desse cenário, devido às condições econômicas que não os permitem dispor de algo que parece normal aos olhos da maioria.
 
Qualquer adoção de serviços que exige o uso da tecnologia passa pela presença da internet, como afirmou recentemente o prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PSDB) que diz estar providenciando o acesso aos alunos carentes do seu munícipio “Estamos colocando Internet na casa dos alunos que não tem, para que eles possam acompanhar as aulas online”. E no atual momento não será diferente, e mesmo que há plataforma, professores e investimentos, se se o aluno não dispor do mínimo de recursos, ele se encontrará automaticamente excluído, e essa situação contrasta com as próprias palavras do secretário no mesmo dia 7. “Temos aqui um grande time de profissionais da educação, e com certeza vão enfrentar juntos conosco esse desafio que é levar uma educação significativa para o jovem, dando oportunidade para todos e não permitindo que em nossa rede tenha uma desigualdade no futuro, disse.





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